A Associação Brasileira de Blogs de Viagem (ABBV) participou do Fórum Internacional de Destinos Inteligentes – FIDI, realizado entre 27 e 30 de abril de 2026 no Rio de Janeiro. A associação foi representada por Olivia Souza Cruz, autora do blog Olívia Garimpando por Aí e integrante da diretoria de eventos.
A presença teve caráter estratégico: acompanhar os debates mais atuais sobre destinos inteligentes, aprender com especialistas e entender como criadores de conteúdo podem colaborar de maneira responsável, consciente e alinhada às transformações do setor. Para a ABBV, trata-se de uma oportunidade de se posicionar como parte ativa, ainda que em construção, do ecossistema turístico brasileiro e ibero-americano.
O que é o FIDI e por que o encontro ganhou relevância internacional
A edição FIDI Rio de Janeiro 2026 reuniu líderes, gestores públicos, especialistas, instituições e organizações que vêm impulsionando o desenvolvimento dos Destinos Turísticos Inteligentes (DTI) na Ibero-América. O evento foi concebido como um espaço estratégico de encontro e cooperação, promovendo:
- Troca de experiências entre países e cidades
- Apresentação de iniciativas inovadoras
- Debates sobre modelos de governança
- Geração de alianças e oportunidades de cooperação
- Fortalecimento de políticas públicas e privadas relacionadas ao turismo inteligente
O FIDI não é apenas um evento técnico, é uma plataforma que conecta referências do setor público, privado, acadêmico e institucional, permitindo que discussões se transformem em projetos, metodologias e práticas aplicáveis.
Ao acontecer no Rio de Janeiro, um destino de forte projeção internacional, o fórum ganhou ainda mais visibilidade, ampliando networking, circulação de ideias e posicionamento estratégico dos participantes no ecossistema ibero-americano.
A programação incluiu especialistas de diversos países, cada um trazendo perspectivas complementares.
Destinos inteligentes: um conceito que vai muito além da tecnologia
Ao longo do evento, tornou-se evidente a necessidade de ampliar a compreensão sobre o que caracteriza um destino inteligente. O conceito, frequentemente associado apenas à tecnologia, envolve pilares muito mais amplos, como:
- Governança e integração intersetorial
- Sustentabilidade e gestão ambiental
- Inovação aplicada a serviços
- Acessibilidade universal
- Segurança e mobilidade
- Promoção e marketing responsável
- Experiência do visitante baseada em dados
Os especialistas reforçaram que tecnologia é ferramenta, não finalidade. Um destino pode ter aplicativos, plataformas e conectividade impecáveis, mas, se faltar mobilidade, acessibilidade ou integração entre órgãos públicos, não será considerado inteligente.
Essa visão foi importante especialmente para a ABBV, que buscou entender como a comunicação turística – especialmente nas mãos de criadores de conteúdo – pode contribuir para disseminar corretamente esse conceito, evitando reduções simplistas.



Palestras
Palestra Tendências de marketing e turismo para DTI, com Thiago Akira
A palestra abordou como destinos podem trabalhar reputação, posicionamento, presença digital e comunicação integrada para melhorar a experiência do visitante. Um ponto importante foi a necessidade de coerência entre o que se comunica e o que o turista realmente encontra, uma preocupação que dialoga diretamente com o trabalho de criadores de conteúdo. Uma reflexão importante foi deixada, a de que o viajante não compra destino, compra emoção.
Do turismo sustentável ao turismo regenerativo, com Jaqueline Gil da Amplia Mundo, Fernanda Maia da Micélio e Victor Hugo da Turisforte
O debate apresentou uma evolução do pensamento turístico: deixar de focar apenas em minimizar impactos negativos e gerar benefícios concretos, sociais e ambientais, para as comunidades receptoras. Essa visão reforça que destinos inteligentes são também destinos conscientes, que cuidam de sua estrutura e de sua população.
Um destaque para Robespierre Valcacio, da Subsecretaria de Cultura e Turismo de Salvador, que está transformando a cidade em um DTI, e o Carnaval de 2026 foi marcado por recordes, gerando cerca de 250 mil empregos e injetando 3 bilhões na economia local com grande impacto positivo para ambulantes e recicladores.
Outra participação importante foi a do Jonas de Queiros da Riotur, apresentando a cidade do Rio de Janeiro, que bateu recordes históricos de turismo em 2025.
Visitas técnicas: observação prática dos pilares de um DTI
Além das palestras e debates, o FIDI promoveu uma série de visitas técnicas que permitiram aos participantes observar como diferentes espaços culturais e urbanos do Rio de Janeiro vêm se transformando.
Entre os locais visitados:
Parque Glória Maria (antigo Parque das Ruínas)
Reaberto como espaço de convivência, cultura e inclusão, o parque foi apresentado como exemplo de como equipamentos culturais podem ser reinterpretados para ampliar acesso e fortalecer o vínculo entre cidade, turismo e comunidade local.
Centro Cultural Banco do Brasil – Rio de Janeiro
A visita mostrou como instituições culturais podem adotar estratégias de acessibilidade, mediação cultural, organização de fluxos e integração com o entorno urbano, dialogando diretamente com pilares essenciais de um destino inteligente.
Essas experiências práticas auxiliaram a ABBV a entender como conceitos discutidos no painéis se materializam no território — percepção importante para quem trabalha com comunicação turística.
Por que a ABBV esteve no FIDI e o que buscou aprender
A participação institucional da ABBV teve quatro objetivos principais:
1. Acompanhar tendências e atualizações técnicas
O turismo inteligente está em evolução constante. Ao acompanhar o FIDI, a associação se mantém atualizada em relação às metodologias mais recentes, às políticas públicas emergentes e às soluções aplicadas em outros países.
2. Observar o papel possível dos criadores de conteúdo nesse cenário
Ao circular pelos debates e visitas, ficou claro que comunicadores especializados podem contribuir de maneiras diversas:
- Divulgando boas práticas
- Ampliando discussões com responsabilidade
- Compartilhando experiências reais de forma honesta
- Produzindo conteúdo útil para viajantes e gestores
Esse papel, no entanto, exige ética, contexto e cuidado.
3. Entender como a associação pode se posicionar como stakeholder
O objetivo não é assumir responsabilidades que não cabem à ABBV, mas compreender como ela pode:
- participar do diálogo
- representar criadores de conteúdo
- fortalecer a comunicação responsável
- apoiar debates sobre experiência do viajante
- contribuir quando houver oportunidade real
Trata-se de um movimento de inserção gradual, mas consistente, no ecossistema turístico.
4. Aprender com quem já está avançando na agenda DTI
A troca com gestores, instituições e especialistas estrangeiros foi um ponto alto do evento.
A variedade de realidades e estágios de desenvolvimento mostrou que destinos inteligentes são construídos de maneira contínua, e que o aprendizado coletivo é essencial.
Aproximações possíveis entre criadores de conteúdo e destinos inteligentes
Para a ABBV, alguns caminhos ficaram mais claros após o FIDI:
Criadores podem traduzir conceitos complexos
DTI é um tema técnico. Comunicar isso ao grande público exige sensibilidade, didatismo e responsabilidade.
A experiência do viajante é uma fonte valiosa de diagnóstico
Criadores vivenciam os destinos na prática, e isso pode gerar insights sobre mobilidade, acessibilidade, segurança e entrega real.
Comunicação bem feita fortalece o destino
Ao compartilhar informações completas, contextualizadas e honestas, blogs e criadores ajudam viajantes a tomar decisões melhores.
A crítica construtiva também contribui
Apontar problemas com equilíbrio e cuidado ajuda a abrir espaço para melhorias — sem cair em sensacionalismo.
Considerações finais: participação orientada por diálogo e colaboração
A FIDI Rio de Janeiro 2026 consolidou-se como um ambiente de aprendizagem, conexão e reflexão para os participantes.
No caso da ABBV, a presença representou a oportunidade de:
- compreender tendências
- observar práticas reais
- aprender com especialistas
- fortalecer a comunicação responsável
- refletir sobre como criar pontes entre conteúdo, viajante e gestão pública
A associação saiu do evento com novos entendimentos e com a clareza de que seu papel como stakeholder está em construção, sempre guiado por colaboração, ética, responsabilidade e diálogo com o setor.
Conclusão
A FIDI Rio de Janeiro 2026 mostrou que destinos inteligentes são construídos aos poucos, sempre com múltiplas vozes. Para a ABBV, fazer parte desse encontro foi um passo importante para compreender caminhos possíveis e pensar, junto ao setor, como a comunicação responsável pode apoiar essa evolução. A associação segue atenta, disponível e disposta a construir pontes que fortaleçam um turismo mais integrado e sustentável.






